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Com o streaming ganhando força, o que será do cinema?

por | dez 4, 2019 | Cinema | 0 Comentários

Segundo um estudo da consultoria Ampere Analysis, o faturamento do streaming deve superar a bilheteria mundial dos cinemas quando os números de 2019 forem consolidados. A expectativa é que os serviços de vídeo sob demanda atinjam algo em torno de US$ 46 bilhões, enquanto o cinema não deve passar de US$ 40 bilhões.

Isso quer dizer que o streaming vai matar o cinema? Ao que tudo indica, a resposta é não. Há décadas dizem que o rádio vai morrer, e ele está aí até hoje, de certa maneira até renovado com esse hype dos podcasts. Quando a televisão apareceu, diziam que o cinema seria o defunto da vez, mas aí está ele, mais popular do que nunca – e justamente entre as novas gerações!

“Roma”, filme da Netflix, levou 3 Oscar em 2019

Uma coisa não precisa matar a outra. Com os cinemas tomados por blockbusters de super-heróis, fantasias da Idade Média e sagas espaciais, o streaming se tornou o refúgio do velho e bom “cinema de arte”. “O streaming está acolhendo os malditos da história. O novo filme de Woody Allen foi feito para a Amazon Prime, a Netflix acaba de lançar ‘O Irlandês’, dirigido por Martin Scorsese, e os irmãos Coen rodaram ‘A Balada de Buster Scruggs’ também para a Netflix, sem falar em ‘Roma’, de Alfonso Cuarón. Quando essa ‘autobiografia’ do cineasta mexicano foi lançada, pela primeira vez em muito tempo vi um filme se tornar assunto de conversa entre as pessoas. Isso é bom”, observa o crítico Inácio Araújo, do jornal “Folha de S. Paulo”.

Por serem menos sujeitas à vigilância do povo conservador que adora impedir o lançamento de produções polêmicas nos cinemas, as plataformas de streaming também abrigam filmes que abordam temas que despertam a ira dos retrógrados. Com isso, filmes como “Boy Erased – Uma Verdade Anulada”, de Joel Edgerton, sobre um caso verídico de cura gay, acabou não sendo exibido nos cinemas, mas está disponível no Now (plataforma de streaming da NET e Claro TV).

“Dia de Chuva em Nova York”, novo filme de Woody Allen

E o streaming está mudando os hábitos das pessoas não só em casa, mas também dentro das salas de cinema. Com a disseminação do “binge watching”, prática conhecida aqui no Brasil como o ato de maratonar, de assistir vários episódios de uma série em sequência, por horas a fio, os espectadores não se incomodam mais de ter que encarar filmes com mais de duas horas de duração. Isso dá mais autonomia às escolhas criativas dos cineastas. Poder trabalhar sem aquele tradicional ‘limite’ dos 100 minutos é uma grande libertação!

“Boy Erased – Uma Verdade Anulada”, disponível no Now

É por isso que “Star Wars: A Ascensão Skywalker” tem 155 minutos, “Vingadores – Ultimato” tem 181 minutos, “Nasce uma Estrela” tem 136 minutos, “O Hobbit” se estende por 169 minutos e “Bacurau”, por 132 minutos. A propósito, “O Irlandês”, de Martin Scorsese, tem 209 minutos!

Resumindo: mais do que “atrapalhar” o cinema, o streaming é uma alternativa aos cinéfilos e cineastas, oferecendo produtos que a própria indústria cinematográfica vem desprezando e esnobando. Longa vida ao cinema – e ao streaming também!

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