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Chef paulistana Fernanda Ribeiro é destaque na França com seus restaurantes

por | jan 9, 2020 | Comida & Bebida, Comidas | 0 Comentários

Por aqui era inverno quando Fernanda Ribeiro desembarcou em Lyon, no sudeste da França. Era o ano de 2007 e a menina de 20 anos que carregava quilos de farinha de mandioca, cachaças e currículos na bagagem não fazia o primeiro voo da vida à toa: ela queria ser uma chef de verdade.

Além de bonjour, tartare de boeuf, cassoulet e petit gâteau, pouquíssimas palavras lembravam o idioma francês no seu vocabulário. Contudo, a estreia na brigada de Emmanuel Bassoleil, no Skye, e os expedientes na extinta Brasserie Erick Jacquin lhe davam a certeza de que devia deixar o bairro do Tatuapé, na zona leste paulistana.

Fernanda preparando um de seus pratos. Foto: Divulgação

Assim foi. A carta de recomendação do atual jurado do MasterChef e o sonho de conhecer o papa da gastronomia foram o pontapé para pedir emprego e, para a sua própria surpresa, ser aceita no Grupo Paul Bocuse. Além de estrangeira, Fernanda era a única mulher numa equipe de 30 pessoas. Dois anos mais tarde, a cozinheira decidiu enfrentar outros chefs estrelados, entre eles, Alain Ducasse, Yannick Alléno e Alain Passard, e ampliar as próprias referências.

Hoje, mais de uma década depois, a chef não se vê fora de Lyon – ali abriu suas duas casas (o intimista 36 Le Cosy e o casual Sampa) e conquistou prêmios importantes (como o Jovem Talento do Guia Gault & Millau). No entanto, a combinação da rigorosa cuisine (herança de sua formação no Brasil e dos anos de trabalho por lá) à bossa brasileira passou a ser insuficiente. Nesse sentido, para além de invencionices como o foie gras com banana e farinha uarini ou a moqueca de lagostim e chorizo, a chef voltou em novembro passado a São Paulo para se reaproximar do Brasil.

Cozinhou com Tássia Magalhães, no Fabbrica Ristorante; com Gustavo Rigueiral, no Jantar Secreto; com o amigo italiano Antonio Maiolica, no Antonietta, e com o casal Rodrigo Aguiar e Giovanna Perrone, no Rios, no seu Tatuapé. “Mostrar pela primeira vez que não faço comida fusion, mas que crio um diálogo entre França e Brasil por meio de receitas, foi muito emocionante”, confessa. Fosse pouco, entre um jantar e outro, Fernanda deu aulas e, de quebra, esbarrou em Janaina Rueda, ensinando mulheres da comunidade da Vai-Vai a prepararem estrogonofe.

Carne de porco feita pela chef. Foto: Divulgação

De bate e pronto, convidou a chef do Bar da Dona Onça e também do melhor restaurante do Brasil (A Casa do Porco, segundo o 50 Best) a fazer uma feijoada para os franceses. Resultado? No próximo dia 4 de dezembro, elas servem o ícone brasileiro regado a samba e caipirinha.

A soirée à la brésilienne acontece no Sampa Cuisine et Culture, o bar autoral de Fernanda. Ao que tudo indica, será apenas a primeira de um projeto de intercâmbio com cozinheiros daqui. Quem quiser acompanhar a caminhada, a chef responde por três arrobas no instagram: @fer.spxly, @36lecosy e @sampalyon.

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