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Cervejas artesanais fazem sucesso e conquistam o paladar do brasileiro

por | fev 1, 2019 | Bebidas | 0 Comentários

Bolinho de pato com tucupi e cerveja Vaia, no bar da marca na Vila Mariana

O verão é associado ao Carnaval, às praias e às festas. E uma acompanhante típica desses momentos é a cerveja, campeã da preferência brasileira. Mas, nos últimos dez anos, essa bebida tem conquistado outro papel, o de protagonista.

O mercado de cervejas artesanais tem crescido em ritmo galopante, seduzindo paladares com seus aromas, cores e sabores. O resultado é uma cultura nova e crescente, que se expande no cenário gastronômico de todo o país.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli, o número de cervejarias registradas no Brasil saltou de 356 em 2014 para mais de 900 no início de 2019, um crescimento de cerca de 25% ao ano. O Sul é a região com o maior número de cervejarias – em seguida vem o Sudeste, o Nordeste, o Centro-Oeste e o Norte.

“Apesar disso, ainda não existe uma regulamentação da cerveja artesanal no país”, ressalta Carlo, lembrando que essas cervejas precisam ter mais de 75% de malte de cevada, apenas para fins de tributação. O que torna uma cerveja artesanal, então, é a idealização e a supervisão dos cervejeiros. “O produto precisa ser direcionado pelo artesão, não pelo departamento comercial”.

A criatividade, o conhecimento de todos os ingredientes e processos e, principalmente, a valorização da produção local, fazem a diferença. “Os alemães têm um ditado que diz que a melhor cerveja é aquela que se toma olhando a chaminé da fábrica”, conta o presidente da Abracerva, ao explicar que a proximidade possibilita o consumo da cerveja fresca, o que é ideal.

Naturais do Brasil

A Caatinga Rocks, cervejaria de Maceió, segue esse estilo e reforça as características regionais em suas cervejas. “O Nordeste está presente no nosso nome, no logo e nos ingredientes”, lembra Rafael Leal, fundador e mestre cervejeiro da marca.

IPA Cangaço’s Kingdom, da marca Caatinga Rocks, feita com cactos

Apesar de produzir cervejas clássicas, como as bitters inglesas, ele aproveita frutas e plantas locais para inserir seu toque pessoal. “Usamos desde ingredientes simples como a casca de laranja orgânica, o coco queimado e o cacau até insumos inovadores como os cactos, que estão presentes na nossa cerveja de lançamento”.

Em São Paulo, a recém-inaugurada cervejaria Vaia, no bairro da Vila Mariana, é a aposta dos cervejeiros Danilo Reis e Guto Procópio. O espaço, antes focado no estilo norte-americano, com apresentação em grandes copos e bebidas de amargor intenso, agora tem se voltado à ótima produção nacional e à harmonização das cervejas com pratos e petiscos de sotaque brasileiro. “Olhar para a nossa cultura agrega um público maior ao universo cervejeiro”, reflete Danilo, que também vende na casa as cervejas da marca Vaia.

Copo cheio de A a Z

As cervejas são feitas basicamente de quatro insumos: cevada, lúpulo, leveduras e água. As mais comuns no Brasil são as do tipo lager, que são de baixa fermentação e mais suaves, clássicas das grandes cervejarias. Para Carlo Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte de Blumenau, a cerveja artesanal se diferencia das industriais por prezar pela qualidade desses ingredientes.

E algumas preferências dos consumidores daqui já são percebidas entre os cervejeiros. “Geralmente quando alguém começa a experimentar as cervejas artesanais prova as Weizenbier, de trigo, pouco amargas e que combinam com climas quentes”. O diretor explica que as experiências evoluem e, assim, as IPA (India Pale Ale), de lúpulo, acabaram por conquistar os brasileiros. “Para paladares sofisticados e experientes existem também as cervejas raras, de fermentação espontânea, ácidas e produzidas em poucos lugares”.

O expert Diogo Henrique Hendges, da Unicesumar

À frente do curso superior de Produção Cervejeira da Unicesumar, em Maringá, Diogo Henrique Hendges, que tem especializações na Alemanha e no Brasil, nota que a paixão pela cerveja tem se tornado um ótimo negócio e uma oportunidade de carreira: “De hobby, ela se transformou em profissão. O mercado em alta tem levado jovens e inclusive executivos a mergulhar na especialização. Alguns querem ter o prazer de produzir a própria cerveja e lançar sua marca; outros, buscam uma colocação nesse mercado altamente bem-sucedido”.

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