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A nova era dos festivais de música é dentro de casa

por | set 14, 2020 | Coluna, Música, Música | 0 Comentários

É tempo de acompanhar os festivais de música ao vivo através das telas. E a variedade de opções é vasta.

Woodstock. Todos sabem o que foi. O mais icônico festival da cultura hippie, da paz e do amor abraçado pela música. É uma referência, é memória afetiva de quem foi, é sonho de que nem havia nascido. Por isso vários outros festivais buscam repetir aquele clima de utopia e liberdade. Tivemos aqui, por exemplo, o Festival de Iacanga que, recentemente, virou um documentário incrível já disponível na Netflix. Vale a pena. Até João Gilberto foi. Um grupo de amigos, uma fazenda, um pai muito bacana que topou a brincadeira, e um desejo enorme de encontro.

No Brasil, os festivais são na sua maioria de música independente. Estão espalhados por este país continental. Para lembrar de alguns: em Pernambuco tem o No AR Coquetel Molotov; no Pará, o Se Rasgum; em Goiania, o Bananada, no Rio Grande do Norte, o Festival do Sol; no Maranhão, o BR 135. E em São Paulo tem o Popload e o Coala.

 

Uma delícia correr esse circuito e conhecer música nova, local, diferente. Agora na pandemia, alguns desses festivais estão online. O Coquetel Molotov fez uma edição incrível. Você pode acompanhar programações no site de eventos Sympla, assistir, contribuir, manter a roda girando nesse chamado ecossistema da cultura e da música.

O primeiro a sair foi um festival emergencial chamado FicaEmCasa e que foi inspirado por uma iniciativa semelhante em Portugal. Foi bem no começo do isolamento no Brasil e foram dias, centenas de artistas, muitas horas no ar, cada um de sua casa em todos os cantos do país. Foi lindo.

A Casa de Francisca começou uma série de espetáculos dirigido por cineastas. Um luxo! O cenário da casa é maravilhoso e as pequenas equipes de cinema, com todos os cuidados, fazem a fotografia, a luz, o corte, e fica maravilhoso. Tivemos Tulipa Ruiz em preto e branco com direção de Lais Bodanzky e Siba com direção de Lô Politi. Ao vivo. O público em casa e com venda de ingressos para o mundo todo, especialmente para o Japão que ama nossa música. É possível acompanhar as novas programações e as reprises no site.

Eu fiz a experiência de assistir na tela da TV e foi muito bacana fazer todo o ritual, abrir um vinho, aumentar o som, comentar com amigos também conectados.

É diferente, sem dúvida. Muito longe de Iacanga e Woodstock, mas tem música, tem arte, tem vida. Ouvir música faz bem. Assisti-la sendo feita ao vivo é ainda melhor. E a criatividade não tem limites. Que a tecnologia seja cada vez mais acessível para que a arte e a educação cheguem para todos.

A música brasileira merece esse cuidado. Nós também.

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