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Uma lista de bons delivery no confinamento

Uma lista de bons delivery no confinamento

Após alguns meses de novo mundo, aprendemos algumas lições que vão tornando a rotina mais eficiente e mais gostosa com o delivery.

Já se passaram cinco meses desde que o confinamento e o mínimo de contato com os outros virou sinônimo de bom senso. Entre outras mudanças de comportamento para o bem geral da nação tivemos que mudar drasticamente a nossa rotina quando o assunto é alimentação. Também tivemos de repensar nossos hábitos quando o assunto é diversão. E, para quem considera um dos maiores prazeres da vida, comer fora e conhecer novos lugares junto com os amigos e familiares relaxando e se divertindo, o golpe foi pesado.

Em outras palavras, para a gente a porrada foi forte. Isso com o devido respeito à minoria que não partilha desse conceito de prazer e diversão. Apesar que provavelmente essa turma não deve ler esta coluna.

Sabemos também que essa volta gradual à normalidade tem gerado muitas decepções pela própria dificuldade dos restaurantes de se adaptarem às restrições e à nossa bizarra percepção das mudanças nesses ambientes. Além de termos que transferir os cardápios para nossos telefones ainda temos dificuldades para achar normal clientes e funcionários com aparência de enfermeiros.

 

Delivery do restaurante koreano Komah

 

Por isso acho valioso algumas dicas de restaurantes que conseguem fazer a experiência do delivery valer a pena. Menciono apenas representantes das culinárias que julgo viáveis de manterem qualidade no sistema de entrega e, muito difíceis de preparar em casa. Também não falo nem de pizza e nem de sanduíches porque todos nós já selecionamos nossos prediletos(as) nos últimos anos.

Quando a pedida é japonês, cada um frequenta o de sua preferência e já deve ter testado a entrega, mas eu desafio os amantes do sushi e do sashimi a encontrar algum que supere o Kenzo. É maravilhoso, para japonês exigente comer de joelhos. Outra pedida surpreendente é de bandeira koreana. O chefe Paulo Shin elevou essa culinária ao patamar das mais apreciadas e conseguiu montar um envelope de delivery à altura da experiência in loco. Não deixe de pedir o Bibimbap (arroz de alga com ovo a 63 graus, e legumes/cogumelos) e Galbi Jim (costela bovina braseada com shoyu e gengibre).

Se a bandeira for árabe é difícil bater o Misky. Tudo é bom, mas só eles têm a esfiha de ricota com cebolinha (que parece um travesseiro) e uma kafta de cordeiro no espeto única. Sem contar os tradicionais doces e o malabi (manjar de misky) com ameixa ou damasco.

Agora, se o desejo for puro e simplesmente de peixe e frutos do mar só existe uma e única opção no patamar da excelência: Ruffino’s. O delivery consegue manter toda a elegância e todo o sabor, desde o couvert (várias vezes o melhor da cidade), até os peixes e crustáceos ao forno ou grelhados. A entrega é minuciosa e os recipientes utilizados são tão competentes que podem ir direto pra mesa. Sou muito fã.

Por fim, se o desejo for bem brasileiro, a feijoada (light ou não) do Dinho’s é insuperável. Não deve nada para a que se come in loco e ganhou tantas vezes a melhor de São Paulo. Tudo separadinho, perfeito e no ponto. Não recomendo carne de lugar algum (seja com molho ou de grelha) porque não viaja bem e sempre será decepcionante ao chegar. Carne se come saindo do fogo, não tem jeito.

Garanto que com essas sugestões vocês terão boas experiências e momentos de alegria. Bom apetite e até!

Viagem na pós-pandemia: Redescubra o grande prazer de viajar

Viagem na pós-pandemia: Redescubra o grande prazer de viajar

Após mais de cinco meses em casa, merecemos redescobrir o prazer de viajar de fim de semana, sem neuras e sem elevadores

É curioso como a percepção da Covid-19 foi mudando conforme o tempo passou. Tenho certeza de que o assunto foi recorrente para todos nós e, se assim podemos dizer, toda essa situação nos fez valorizar novamente os conceitos mais do que os detalhes. Acho que estávamos mal acostumados, talvez até blasés e confundindo rotina com prazer.

No meu caso, sempre viajando tanto a trabalho quanto a lazer, a ideia de qual seria meu desejo de destino assim que acabasse essa loucura foi se modificando ao longo do extenso confinamento. Quanto mais o tempo foi passando mais fui encurtando a distância que separa minha casa do meu provável destino da primeira viagem pós-pandemia.

Descobri, ou melhor, redescobri que o grande prazer está no estado de espírito e na sede de provar uma ou outra sensação como o sol, o vento e os pés na areia com o azul do mar à frente. Visto que estamos trancados desde março e que essas primeiras escapadas ainda serão no inverno, resolvi optar pelo sol ameno e pela luz maravilhosa que nosso inverno paulista oferece à beira do mar. Afinal, estamos carentes de poder andar no sol e ao ar livre sem elevadores.

Passo aqui alguns exemplos de lugares próximos a São Paulo que estão na minha lista de escapadas de praia e que pedem pouquíssimo tempo de viagem (até 2 horas).

Vale ressaltar que é bom reservar com antecedência, por causa da demanda reprimida do momento, além da capacidade de atendimento ainda reduzida em função das medidas de prevenção da pandemia.

Para mim, mar em São Paulo significa litoral norte sendo que minhas praias preferidas desse trecho da Rio-Santos são também as menos distantes .São elas a Praia do Engenho, na Barra do Una, Juquehy e Barra do Sahy . Porém se a busca for praticar surf, a única indicada é Juquehy, já que as outras têm um mar mais tranquilo. Nessa época o clima da região é um luxo. Nunca chove e a luz de inverno deixa as cores do céu, do mar, da areia e das flores ainda mais lindas.

Boas opções de hotelaria é o que não falta e basta procurar a opção que cabe no seu sapato. Eu conheço e gosto do hotel Aldeia do Sahy (Barra do Sahy) e do Juquehy Praia Hotel (em frente ao mar). Os dois são bem confortáveis e tem ótimo serviço. Uma dica que faz a diferença é tentar passar por Bertioga (a meia hora do destino na ida) ainda em tempo de almoço. Ali, na própria Rio-Santos, pare no restaurante Dalmo o Bárbaro e peça a famosa salada de palmito desfiado e o imperdível prato de mariscos no molho de tomate.

A uns 40 km mais adiante, no sentido São Sebastião se encontra a linda Praia de Toque Toque Grande, onde fica um hotel boutique altamente recomendado por todo mundo que passa por lá. Cravado entre o verde da Mata Atlântica e o azul do mar, o Ilha de Toque Toque Boutique Hotel e Spa é perfeito para casais em busca de sossego, cuidados corporais e total relax. Cada suíte conta com varanda e piscina ou ofurô privativo. Trés chic! O Spa é da l’Occitane, o que denota a qualidade do serviço. É claro que não é para crianças e se quiser pisar na areia tem que fazer um lindo passeio de 15 minutos. Se optar por essa sugestão (que também é a mais cara), aconselho ir por Caraguatatuba (rodovia dos Trabalhadores), fica mais rápido.

O mais importante é termos a capacidade de rever alguns conceitos que andavam meio que banalizados e fazer com que a experiência que vivemos nesses meses possa se reverter em ideias e positividade. O momento é propício para se desprender de padrões de consumo passageiros e focar naquilo que realmente nos dá prazer. Aproveite. Até!

Vamos fazer de conta para enfrentar a quarentena

Vamos fazer de conta para enfrentar a quarentena

Cabe a cada um de nós encontrar a sua receita para atravessar a quarentena e as dificuldades desta crise. Valem todas as fontes de inspiração para não perder a calma e a cabeça. O momento é difícil, diferente e perigoso.

Tão difícil e tão diferente que ninguém tem ideia de como iremos reagir a essa limitação de espaço, do encontro com as pessoas e à abstinência de rotina. É aí que mora o perigo…

Como reagiremos à falta que os amigos e familiares nos fazem? Será que teremos paciência e paz de espírito suficiente para conviver em harmonia com quem estamos dividindo essas semanas?

Por ironia dos fatos, lembrei agora que na edição da 29HORAS de agosto de 2019 o título da minha coluna era “A alegria de sair de casa”. Naquele texto, eu fazia uma crítica ao excesso de uso dos apps de delivery, que estavam nos tirando até o prazer de fazer nosso próprio supermercado ou de ir tomar um sorvete na rua conversando… Que ironia.

Me permito aqui passar minha mensagem para o momento traduzindo uma música que um artista francês, Calogero, compôs já em reclusão, e que está fazendo muito sucesso. Chama-se “On fait comme si” (A gente faz de conta). Ele doou todos os direitos a órgãos de ajuda ao combate do Covid19. A letra é inspiradora.

Escutem a música, é linda. Coragem e boa sorte a todos.
Até!

Primavera em Paris inspiração

Primavera em Paris

Segue a tradução sem as rimas:

“É um silêncio diferente que vem da rua
Como se fosse um domingo previsto
Um homem está cantando numa varanda
E a vizinha dele o acompanha no violão
Falamos palavras que acalmam para as crianças
Como se fosse uma aventura
Colamos seus desenhos na geladeira
E desligamos os canais de notícias.

A gente faz de conta
Que é tudo um jogo
A gente faz de conta
A gente faz o que pode
Quando vem a noite
Fechando os olhos

A gente faz de conta
Que esse mundo ainda é feliz
A gente faz de conta
Como se não estivéssemos aqui
Parentes e amigos

Nos veremos de novo
E mesmo se esta primavera fugir
Prometo e juro, o mundo recomeçará
Apesar dos medos
Existem risadas que resistem
Estar tão longe nos aproxima
Mesmo para não falar de nada
Ou do azul do céu
Por favor me dá notícias suas

A gente faz de conta
Que é tudo um jogo
A gente faz de conta
A gente faz o que pode
Quando vem a noite

Fechando os olhos
A gente faz de conta
Que esse mundo ainda é feliz
A gente faz de conta
Como se não estivéssemos aqui
Parentes e amigos
Nos veremos de novo
E mesmo se esta primavera fugir
Prometo e juro o mundo recomeçará

É um silêncio estranho que vem da rua
É só mais um domingo
Certos que nossas vidas depois serão melhores
Por favor, me dê notícias suas”
 Calogero – “On fait comme si”

Bon vivant: as águas minerais entre São Paulo e Minas

Bon vivant: as águas minerais entre São Paulo e Minas

Basta pesquisar um pouco sobre o assunto “água mineral”, que logo se depara com a enorme quantidade de fontes existentes no Brasil. Além de sermos a principal bacia aquática do planeta, também temos uma infinidade de fontes, termais e medicinais.

A natureza foi generosa no Brasil todo, especialmente na região do sul de Minas Gerais, divisa com São Paulo. Com tantas fontes de águas medicinais que podem ser sulfurosas, alcalinas, carbogasosas (com lítio), ferruginosas… e por aí vai. Cada uma dessas características resulta em benefícios medicinais para o usuário e cura desde psoríase, artrose, problemas hepáticos, cálculos renais e até diabetes.

águas minerais

Cachoeira dos Garcias em Caxambu, Minas Gerais. Foto: Divulgação

A maioria ainda conta com uma qualidade de água mineral que só conhecemos pelos rótulos estampados nas garrafas em supermercados.

Infelizmente a nossa cultura e os nossos órgãos de turismo dão um tratamento pouco charmoso para esse setor tão valorizado em outros países. Na França, por exemplo, são famosos os complexos hoteleiros e spas construídos ao redor de fontes como Evian ou Vichy, conhecidas no mundo apenas pelas suas águas minerais.

O Royal Évian (na própria cidade de Évian) e o Vichy Célestins, em Vichy, atraem um turismo internacional de altíssimo nível à procura das águas curativas e do luxo dos seus spas. O respeito às termas de Vichy é tão grande, que virou patrimônio do estado desde Napoleão III, em meados do século 19, quando foi construída a Ópera de Vichy para matar a sede cultural da alta sociedade francesa.

Charmosas, algumas cidades da região abençoada entre Minas Gerais e São Paulo oferecem o que as pessoas mais procuram: saúde. Escolhi três delas, que merecem visita tanto pelas fontes quanto pela beleza da região. Todas ficam até 250 km de São Paulo, perfeitas para um fim de semana.

A começar por Poços de Caldas, que eu conhecia até então apenas pelo requeijão cremoso. Desde o começo do século XX, a cidade era frequentada por figurões da sociedade que vinham curtir os cassinos do Palace Hotel e do Palace Cassino e aproveitavam para relaxar e se curar nas águas sulfurosas bicarbonatadas e alcalinas a 45 graus das Thermas Antônio Carlos.

Ainda dá para sentir que o lugar foi glamouroso. Ali é possível fazer vários tipos de aquaterapias e são muitos os passeios na região, como as lindas quedas d’água da cachoeira Véu das Noivas e o trajeto até a Pedra Balão.

Não longe dali se encontra Águas da Prata. São mais de dez tipos de fontes de águas medicinais nos arredores da pequena cidade de 7500 habitantes. A mais conhecida é a Fonte da Juventude, que por sua alta concentração em bicarbonato resolve dores de estômago e ainda deixa a pele esticada…

Logo após atravessar a fronteira com Minas Gerais está Caxambu, conhecida como o maior complexo hidromineral do mundo (isso mesmo). São 12 fontes de águas minerais gasosas e medicinais que jorram ininterruptamente. E o mais surpreendente é que a água de cada uma delas apresenta propriedades físico-químicas diferentes. Reza a lenda que foi ali que a Princesa Isabel curou sua anemia e finalmente conseguiu engravidar…

Mesmo com redes de hotelaria que poderiam ser melhores, uma viagem por essas cidades é imperdível. Não só pelas águas, mas pela região maravilhosa. E não se esqueçam que em poucos anos a água mineral será um luxo…

Até!

Bon vivant: que tal fugir da folia do Carnaval?

Bon vivant: que tal fugir da folia do Carnaval?

Nos últimos anos, não me lembro de um Carnaval no litoral paulista que tenha feito tempo bom. Aliás, chuva no Carnaval virou até piadinha por aqui. Se não o feriado inteiro, pelo menos boa parte dele. Não é por nada, mas gosto de praia com sol, ou pelos menos com mormaço. Tanto que já desisti do nosso lindo litoral nesta época do ano. É verdade que ninguém pode prever qual será o tempo desta vez, mas uma coisa é certa: a cada ano esse feriado registra recordes de engarrafamentos.

E essa é mais uma razão para sugerir a quem não quer folia nem muvuca um lugar mais que charmoso, ótimo para descansar, fazer umas lindas caminhadas e até meditar pra voltar para casa zerado… O destino é a Serra da Mantiqueira, mais precisamente São Bento do Sapucaí.

A Vila Kaapora, em São Bento do Sapucaí. Foto: Divulgação

Devo confessar que conheci um lugar chocante nessa região, a 190 km de São Paulo, uma pousada intimista que se autodenomina “hospedaria”. A distância é a mesma que as praias de Camburi ou Maresias. A diferença é o tempo de viagem. Num feriadão como esse, você gasta umas 3 horas para chegar lá, enquanto leva de 5 a 6 para acessar as belas praias citadas acima.

Depois da Rod. Ayrton Senna, a 1ª saída é para Campos do Jordão. Logo vem as saídas para São Francisco Xavier e São Bento do Sapucaí. É ali, em meio às montanhas a 1600 m de altitude, e deitada sobre um vale inspirador, que fica a Vila Kaapora.

O lugar conta apenas com três chalés. O espaço é extremamente bem pensado e cuidado, com camas king size e todo o resto à altura da proposta.  Mas a vista de cada chalé é ímpar e nos faz esquecer até onde estamos, parece hipnose. Tipo um vale composto por vários tons de verde coberto por uma camada de nuvens que, por sua vez, é coberta por um céu limpo e infinito.

O pôr do sol é lindo e o cobertor de estrelas à noite é uma verdadeira loucura. Ali, em boa companhia, pode ter certeza de que você vai meditar sem esforço. Aliás, não dá vontade alguma de se reconectar com o mundo…

As refeições seguem a levada slow food e tudo vem da horta orgânica e das criações próprias. Os passeios vão de trilhas a cachoeiras e dá até pra visitar uma produção de azeite na Estrada do Cantagalo chamada Oliq — um dos melhores azeites brasileiros.

É bem provável que não tenha mais lugar para este Carnaval, visto o tamanho da hospedaria, mas achei por bem repassar essa experiência o quanto antes. Fica a dica para toda vez que o bem-estar na calmaria for prioridade. Até!