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Bom de copo: Uma lista de excelentes e diversos vinhos brancos importados por até 200 reais

Bom de copo: Uma lista de excelentes e diversos vinhos brancos importados por até 200 reais

Eu tenho bebido muito mais vinhos brancos do que tintos. São mais complexos, há enorme variedade e aquecem da mesma forma, afinal é o álcool que nos esquenta e não a temperatura da bebida, não estamos falando de chá, mas de vinho.Também é pouco habitual entre os brasileiros conhecer vinho branco evoluído e com idade. Você sabia que há vinhos brancos que só vão ao mercado com dez ou mais anos de adega? Sim!

Queria lhe fazer uma proposta, diga rapidamente três uvas brancas que não sejam Chardonnay e nem Sauvignon Blanc. Ficou difícil? Pois listei seis vinhos deliciosos de castas diferentes. Veja e arrisque, quem sabe o branco que sempre sonhou não está nessa lista?

1) Bel Air 2018 Domaine de la Grange Tiphaine biodinâmico 100% Chenin Blanc Vale Loire na De La Croix por R$ 190,00.

A Chenin Blanc do Vale do Loire produz vinhos frutados, florais com nozes e especiarias, e é excelente para frutos do mar e nossa culinária de praia, como o vatapá.

2) Ribeiro Santo 2003 do Dão da uva Encruzado por R$ 203,00 na Wine Brands. A Encruzado do Dão resulta em vinhos longevos, densos e frescos com toques de resina, flores brancas, especiarias e fica excelente com queijos amanteigados.

3) Aphros Loureiro TEN biodinâmico por R$ 133,00 na Wine Lovers. A uva Loureiro é floral, cítrica, lembra lichia e tem grande frescor. Excelente para aperitivos, frutos do mar, peixes e queijos novos.

4) De Lucca Marsanne do Uruguai a R$ 114,45 na Premium Wines. A uva Marsanne resulta em vinhos densos, mas com frescor, acompanham excelentemente bem truta com amêndoas, peixes de modo geral, carnes de aves e de porco e queijos evoluídos.

5) La Flor del Ombú Bracco & Bosca Moscato Bianco a R$ 89,90 na Cantu. Com incrível aroma de uva mesmo, a moscatel vinificada seca é muito sedutora lembrando pêssego, mel e laranja. Acompanha muito bem comida asiática e saladas de fruta.

6) Selbach Oster Mosel Riesling a R$ 175,10 na Mistral. Rainha das uvas, a Riesling é alemã, mas faz sucesso também na Alsace e na Áustria, onde são mais delicadas. Com nariz típico perolado, borracha que se misturam a maçã verde, pêssego e orquídea, é acompanhante ideal da carne de porco, de aves e peixes.

 

Então,vai continuar no seu Chardonnay ou Sauvignon Blanc, ou vai arriscar a diversidade? E olhe, eu ainda tenho outras vinte castas brancas sensacionais que não mencionei… Saúde!

 

Acima, Bel Air Domaine La Grange Tiphaine, Aphros Ten, La Flor del Ombú e Selbach-Oster

Vinhos brasileiros: um passeio por rótulos imprescindíveis da nossa terra

Vinhos brasileiros: um passeio por rótulos imprescindíveis da nossa terra

Eu sou um grande defensor do vinho brasileiro, embora nunca deixei de criticar a postura dos líderes do setor que, por vezes, consideram os importados como concorrentes e sempre tentam um protecionismo. Mas isso nada tem a ver com a qualidade de nosso vinho.

O Aurora Millésime, por exemplo, 100% Cabernet Sauvignon, é um dos grandes e está lançando sua décima edição, a de 2017. Outro vinho que destaco é o Miolo Gamay Wild SO2 free. Listo esse vinho pela iniciativa de uma gigante do setor, que produz cerca de 13 milhões de litros de vinho e faz em perfil artesanal que, embora não seja de vinhedos orgânicos, é fermentado com as próprias leveduras e custa perto dos R$ 50.

 

Vinhedo da Guaspari

Vinhedo da Guaspari, em Espírito Santo do Pinhal

 

Outro vinho que cito é o Rio Sol Touriga Nacional Gran Reserva, produzido em Petrolina, no Vale do São Francisco, pelos portugueses da Dão Sul, um espetáculo de fruta e intensidade. Destaco também o FVLVIA Pinot Noir do Atelier Tormentas, fabricado em Canela, no Rio Grande do Sul, sem adição de SO2 e com muita classe, um vinho que já superou muito o Bourgogne em degustações às cegas.

O estado de São Paulo também tem preciosidades, como os vinhos da Guaspari como o Syrah Vista do Chá ou os vinhos naturais e de fermentação espontânea do Entre Vilas, em São Bento do Sapucaí. Os vinhos naturais da Era dos Ventos, especialmente o Peverella, produzido pelo Alvaro Escher e o Luiz Henrique Zanini, são imprescindíveis.

Vinhos brasileiros diversos

Acima, o Era dos Ventos Peverella, o Rio Sol Touriga Nacional Gran Reserva e o Orus Pas Dosé

 

Em Santa Catarina, há vinhos de altitude excepcionais, selecionei aqui o Innominabile com cinco castas (Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec, Marcelan, Merlot e Pinot Noir), produzido pela Villaggio Grando, que é espetacular. Em espumantes, então, é um show de qualidade e frescor com bons preços. Cito ainda os espumantes da Cave Geisse, qualquer um deles é de altíssima qualidade e foram, inclusive, citados pela crítica Jancis Robinson como exemplo de qualidade de espumante no novo mundo do vinho.

Os vinhos do Adolfo Lona, um craque que produz o Orus Rosé Mas Dosé, têm uma elegância rara. Destaco para finalizar esse passeio por vinhos imprescindíveis brasileiros, o Salton Brut Ouro, que custa pouco e é muito bem feito, tem consistência. Prestigie e experiente nossos vinhos, há inúmeras garrafas excepcionais. Saúde!

Venda online de vinho cresce e o momento é de imersão

Venda online de vinho cresce e o momento é de imersão

Os canais de venda tradicionais foram a pique. Restaurantes, bares e lojas estão fechados ou trabalhando com delivery, absolutamente fora de sua proposta. As importadoras de vinho se adaptaram a essa modalidade de venda. Afinal, é o que restou. 

Quem se deu bem e muito bem, foram os supermercados que estão funcionando normalmente. Para se ter uma ideia, o Pão de Açúcar cresceu em 50% as vendas de vinho desde março. Um salto impensável. Outro setor que cresceu foi a venda virtualcomo os clubes de vinho que também experimentam um crescimento semelhante. 

Importante observar que há diversas propostas nesse mercado, há clubes que vendem vinhos de rotulagem linda e com vinhos muito simples dentro e outras que vendem produtos mais selecionados de preços mais altos e de volumes limitados. O fato é que, mesmo com esse crescimento todo, o volume não cobre a perda que se observa.  

Venda online de vinho cresce e o momento é propício para uma imersão em livros e cursos

Venda online de vinho cresce e o momento é propício para uma imersão em livros e cursos

De um lado, cresce o consumo na residência por motivos óbvios, mas de outro as pessoas se restringem com gastos, o resultado é o crescimento dos vinhos mais simples. Eu diria que na faixa de preço de até 50 reais. Os vinhos brasileiros saem ganhando e esses se encontram nos supermercados, como Aurora Varietais, os Almadén e os Salton Classic. 

Isso também se explica porque o câmbio cresceu quase 50% em dois meses e isso reflete em tudo. Os vinhos estão mais caros e vão ficar ainda mais. Um momento muito difícil. Penso que agora os produtores brasileiros deveriam intensificar ofertas e delivery e promover seus vinhos. 

As pessoas não conhecem vinho, não sabem das suas diversas alternativas, de regiões, de estilos, de produtores, etc., e então acabam confiando em quem lhe indica o vinho. Os clubes sempre falarão bem dos vinhos que estão oferecendo, porém para quem é do ramo sabe que hoje, um vinho vendido a 30 reais custou lá fora 1 euro. Isso é algo que os consumidores deveriam ter em mente e dar preferência a um vinho feito em seu país, que nesse momento precisa sobreviver. 

Eu acho que hoje o consumidor deveria primeiro escolher um importador ou um produtor brasileiro em quem confia, quem cuida bem de seus vinhos e são honestos. Então a partir daí você pode escolher entre muita variedade. Hoje todos entregam, é uma facilidade. 

Há também um fator bom para o vinho nisso tudo. As pessoas estão dentro de casa e estão sem a possibilidade de sair, assim podem prestar mais atenção ao vinho que bebem. O vinho precisa disso, pois há diferenças entre eles, entre as castas, entre os assemblages. Quando a pandemia passar, os consumidores estarão mais familiarizados com os vinhos, tenho certeza.  O importante é experimentar, variar, esquecer as notas e palpites de experts de vinho, acredite em você. 

Mergulhe!

"Confissões de uma amante de vinhos" de Jancis Robinson

“Confissões de uma amante de vinhos” de Jancis Robinson

E informe-se, há inúmeros cursos de vinho e livros maravilhosos para se curtir nestes tempos de confinamento, sugiro de cabeça os seguintes: A História do Vinho de Hugh Johnson,A experiência do gosto de Jorge Lucki, “A Arte de Degustar o Vinho” de Enrico Bernardo, Confissões de uma Amante de Vinhos de Jancis Robinson, Vinho para Iniciantes e Iniciados de José Oswaldo Albano do Amarante, Presença do Vinho no Brasil” de Carlos Cabral e “O Gosto do Vinho” de Émile Peynaud e Jacques Blouin. 

Eu tenho um curso que vez por outra é lançado na web, sugiro que o leitor interessado se inscreva em “O vinho é simples 2020” e acompanhe o próximo lançamento. Saúde!! 

Bom de copo: Portugal é referência em vinhos orgânicos

Bom de copo: Portugal é referência em vinhos orgânicos

Com a matéria do Natale Giramondo sobre Cascais e Algarve, não poderia deixar de falar dos vinhos portugueses. Quem já foi a Portugal sabe da excepcional amabilidade daquele povo que tanto gosta de ouvir nossa maneira de falar sua língua. Eu tenho a sorte de todos os anos ir a Portugal, curtir esse acolhimento. E, no mês de fevereiro, acontece o “Simplesmente… Vinho”, um encontro para o qual sou sempre convidado.

Encontro “Simplesmente… Vinho”de 2018, na cidade do Porto

O “Simplesmente… Vinho” é, na verdade, um salão off de vinhos, arte e música. Um verdadeiro espetáculo para quem gosta de vinhos puros e sinceros – aqueles que são feitos sem produtos químicos, de forma artesanal.

Se você pretende ir a Portugal nesse período, tem que visitar esse salão. Pense o que é ter cem produtores de vinhos, todos orgânicos, naturais e alguns biodinâmicos! Cada um deles com cinco, seis, sete amostras diferentes do que produz… Impossível, trata-se de uma Disneylândia de vinhos para alguém como eu. E esse país abriga uma diversidade impressionante.

Você sabia que Portugal, depois da Itália, é o país com a maior quantidade de castas autóctones? E essa nação tão pequena tem ainda uma diversidade de terroir inacreditável. A ideia é priorizar sempre os vinhos da região onde estiver, pois você irá aprender mais. Os vinhos portugueses estão em uma fase de grande frescor e muita tipicidade das castas. Não perca!

Vinículas familiares para conhecer em Portugal

Quinta Casal Figueira

Propriedade familiar na região de Lisboa, em A-dos-Cunhados, produz vinhos com práticas biodinâmicas, como Roussanne, Marsanne, Petit Manseng. O primeiro Casal Figueira saiu em 1995, demorou muito tempo a ter o devido reconhecimento, mas agora está entre os melhores.

Casa de Mouraz

Foi fundada em 2000 em Mouraz, no coração do Dão, região conhecida como a Borgonha portuguesa. Surgiu como um projeto familiar de viticultura sustentável e produção de vinhos autênticos e naturais com a riqueza do seu terroir de origem. Conta com vinhas velhas com cerca de 50 anos e vinhas recém-plantadas.

Quinta das Bágeiras

Da região de Sangalhos, a vinícola familiar de 1989 produz vinhos de grande longevidade, sejam tintos, brancos ou espumantes. Esses últimos são elaborados somente na versão Bruto Natural, quando há pouca concentração de açúcar.

Outras para conhecer:

Aphros Wine, Quinta de Saes, Quinta da Palmirinha, Dominó, Quinta do Arcossó, Quinta do Romeu, Vadio, Mapa, Olho no Pé, Vale da Capucha, Quinta do Mouro, Antonio Madeira, Quinta da Pellada, Quinta do Infantado, Viúva Gomes e Bago de Touriga. Saúde

Bom de copo: A moda do vinho Bio – a novidade que está conquistando os paulistanos

Bom de copo: A moda do vinho Bio – a novidade que está conquistando os paulistanos

Antônio e Bruno Faccin com seu vinho familiar

Hoje o vinho Bio (na Europa significa orgânico), ou biodinâmico, natural, está definitivamente na moda. E não é só por aqui não, está no mundo todo. Na França, os vinhos Bio cresceram nos últimos cinco anos nada menos do que 276%! O dado foi divulgado pela revista francesa La Revue du Vin de France, que trouxe sua capa de junho dedicada ao tema dos orgânicos, biodinâmicos e naturais. Nesse momento, o importante é você priorizar a boa informação e procurar checar sobre os produtores, pois os oportunistas aparecem sempre onde há demanda.

Para experimentar um vinho realmente puro, lembre-se de dar uma visitadinha no site do produtor e olhar suas fichas técnicas, procurando, por exemplo, sobre a fermentação. Veja se é espontânea ou se menciona leveduras indígenas. Quem produz vinho assim, faz questão de dizer em suas fichas. Esses são os vinhos mais autênticos que você encontrará, pois as leveduras indígenas, naturais do vinhedo, são a garantia do sotaque daquele local.

Isso não quer dizer que esses vinhos sejam melhores que outros, até porque gosto é algo particular e cada um tem o seu – inclusive, as pessoas se acostumam com um determinado gosto. Porém, eu gostaria de convidar você a abrir seu paladar para experiências de autenticidade, pois no futuro é isso que os bons apreciadores de vinho procurarão, um vinho que represente de fato sua origem, a família que o produziu. Acredite.

Autenticidade

Confira alguns dos brasileiros naturais, que devem realmente ser experimentados. Saúde!

Atelier Tormentas

Sediado em Canela (RS), Marco Danielle é um produtor absolutamente livre e que está fazendo história. Não conheço outro caso de vinho brasileiro que tenha arrancado no mundo tantos elogios.

Era dos Ventos

Na Serra Gaúcha, Luís Henrique Zanini produz de modo artesanal vinhos de personalidade. Seu Era dos Ventos Peverella foi apresentado como destaque em junho em Nova York, em um seminário sobre vinhos naturais.

Entre Villas

Eles são feitos de forma artesanal, sem adição de sulfitos, na serra da Mantiqueira, em São Bento do Sapucaí (SP). Entre as castas, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Shiraz, Malbec e Pinot Noir.

Faccin Vinhos

Produzidos em Monte Belo do Sul, na Serra Gaúcha, com vinhedos próprios, os ótimos vinhos da marca têm fermentação de leveduras selvagens contidas na casca da uva. Segundo a família Faccin, são “vinhos que dão alegria sem dar ressaca”.

Vinhedo Serena

Uma família superunida que vive em Pinto Bandeira, no nordeste do Rio Grande do Sul, onde cultiva vinhos com certificação orgânica, manejo biodinâmico, cores e sabores diversos. Um resgate de tradições e antigos saberes.

Famiglia Boroto

Em Garibaldi, os Boroto produzem vinhos orgânicos desde 1986. Hoje fazem vinhos com as uvas próprias e sem nenhum aditivo nem SO2. Alguns de seus vinhedos são centenários.