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Papai Noel virtual chega aos shoppings para o Natal pandêmico

Papai Noel virtual chega aos shoppings para o Natal pandêmico

Durante os meses de dezembro, desde 1995, Antônio das Neves, paulistano da Mooca, vendedor de baterias automotivas, acordava às 6 da manhã para enfrentar o trânsito e chegar no horário ao Shopping Morumbi, para o trabalho que lhe dá mais prazer: ser Papai Noel.

Há 25 anos, por sugestão do filho – que comprou uma fantasia na tradicional rua 25 de Março – ele começou a incorporar o personagem. No início, com barba e cabelos postiços. Nos últimos anos, se tornou Papai Noel 365 dias por ano, pelo menos na aparência, e assim passou a ser conhecido por amigos do bairro e do comércio. Mas neste ano, aos 80 de idade, vai passar o período de Natal em casa, longe do seu trono e das crianças, muitas delas hoje já adultas.

Seu Antônio, como todos aqueles que se transformam no bom velhinho nesta época, só poderão ter encontros virtuais com os pequenos. O Shopping Metrô Santa Cruz criou o projeto “Meu Sonho de Natal”, que vai oferecer papeis em formado de estrelas para crianças escreverem seus desejos, e serão lançadas ao céu pelas mãos de Papai Noel. Tudo acontecer por meio de um telão com a presença virtual do personagem. Um ator nos bastidores comanda o diálogo, e o registro do momento é feito em local específico onde as famílias podem tirar fotos com o Noel digital.

O Shopping Villa Lobos também aderiu ao modelo, e ainda incrementou o encontro com um Papai Noel em realidade aumentada, que permite aos visitantes ficarem lado a lado com o personagem e receberem a foto instantaneamente via QR Code. A Villa Noel do centro de compras funciona junto ao Jardim Encantado – uma série de atrações e brincadeiras, como carrossel, bicicletas e moinho de vento em diferentes espaços “instagramáveis”, com objetivo de suprir o contato direto com a figura mais importante do Natal.

 

O bom velhinho em realidade aumentada no Shopping Villa-Lobos, em São Paulo

 

 

Campanha brasileira denuncia o assédio sexual e moral no mercado publicitário

Campanha brasileira denuncia o assédio sexual e moral no mercado publicitário

Inspirado no #MeToo, movimento contra o assédio sexual lançado nos Estados Unidos em outubro de 2017, o mercado publicitário brasileiro iniciou uma mobilização contra esse tipo de crime muito comum em agências, empresas e, especialmente, em sets de filmagem. 

Neste ano, em parceria com o #MeTooBrasil, a Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais apresentou uma filmagem com relatos reais de assédio em forma de roteiros de filmes. 

Denominada “Corta!”, a campanha criada pela agência Leo Burnett Tailor Made reforça a necessidade de mudança de comportamento na indústria audiovisual com relação ao assédio sexual no trabalho. É apresentada como um pacto de conscientização contra o assédio na indústria do audiovisual e disponibiliza o #MeTooBrasil para denúncias e o atendimento as vítimas.  

Os filmes retratam situações de comportamentos abusivos que aconteceram em festas, eventos oficiais do mercado e até mesmo em um típico dia de trabalho dentro de um set de produção, com diretores, produtores, atores e profissionais do segmento. 

“Isso não é um roteiro. Isto é uma história real. Isto precisa ter fim. Corta!, um movimento contra o assédio na indústria do audiovisual”, prega a campanha da APRO.

No final de 2017, uma pesquisa promovida pelo Grupo de Planejamento havia revelado que 90%​ ​das​ ​mulheres​ ​e​ ​76%​ ​dos​ ​homens​​​ ​já​ havia sofrido​ ​assédio​ ​moral​ ​ou​ ​sexual​ ​no​ ​trabalho. Desse total, 51% das mulheres afirmaram terem sido vítimas de assédio sexual. 

O chamado GP levou o resultado desse levantamento para 65 agências de São Paulo, mostrando que o problema poderia afetar inclusive a produtividade da empresa.

É sintomático da natureza estruturante do abuso que os diretores, principal interface sênior com as equipes, tenham sido citados como assediadores por 63% do total da amostra. E não causa surpresa que o assédio sexual seja maior entre as mulheres, com uma em cada duas reportando já terem sofrido esse tipo de violência no ambiente de trabalho.

A hostilidade vivida nos ambientes de trabalho tem consequência na saúde dos profissionais, já que 62% das mulheres e 51% dos homens afirmam ter sofrido algum sintoma de saúde por causa de assédio moral.  

O movimento resultou em um engajamento das principais entidades do setor, representantes dos profissionais de mídia, criação, produtoras e até de anunciantes. Agências de propaganda anunciaram medidas práticas contra o assédio, como a implementação de códigos de conduta e canais independentes de denúncia. 

Cada vez mais conscientizado, o mercado publicitário dá um passo à frente para eliminar de seu convício quem prefere batizar o assédio com outros nomes e esconder seus atos criminosos. 

Você também pode entrar em contato com o #MeTooBrasil para fazer um desabafo de maneira anônima ou para realizar uma denúncia e receber apoio jurídico, psicológico, médico e socioassistencial. Acesse o site: metoobrasil.org.br/ajuda/

Marketing e marcas: atrizes, apresentadoras e cantoras são os rostos de marcas

Marketing e marcas: atrizes, apresentadoras e cantoras são os rostos de marcas

Elas só tinham uma chance. Não podiam errar. Não havia teleprompter. O texto era decorado minutos antes. Às vezes, humanamente erravam, ou esqueciam o roteiro. Mas tiravam de letra. O improviso reinava. Elas eram adoradas pelo público. Sua credibilidade garantia o sucesso de marcas anunciadas.

A história da propaganda dos anos 1970 na televisão brasileira começou a ser contada ainda no final dos anos 1950 e início da década de 1960 por comerciais feitos ao vivo pelas primeiras garotas-propaganda do país.

Idalina de Oliveira, Meire Nogueira e Neide Alexandre, hoje senhoras na faixa dos 80 anos, foram as primeiras anunciantes de produtos na telinha. Tornaram-se verdadeiras celebridades do marketing.

Na metade dos anos 1960, uma garota-propaganda em especial pulou dessa categoria para as telenovelas e virou a “Namoradinha do Brasil”. Sim, em 1964, Regina Duarte estreou na TV fazendo publicidade para a geladeira Frigidaire. Depois vieram as top models, como Luiza Brunet, que aos 18 anos era a estrela de todas as campanhas do jeans Dijon.

Sete décadas depois, essas garotas-propaganda agora são apresentadoras, atrizes, cantoras e modelos. Se antes as pioneiras trabalhavam pelo salário que ganhavam das emissoras, hoje negociam altos cachês, que variam exatamente pelo seu grau de credibilidade.

Entre 2014 e 2017, Fátima Bernardes estrelou comerciais da Seara. Parou quando a Lava Jato chegou à JBS, preocupada com sua imagem. Três anos depois, já em 2020, concordou em voltar a anunciar os produtos da marca, segundo informações, por um cachê anual de R$ 10 milhões.

APRESENTADORA FÁTIMA BERNARDES NA CAMPANHA DA SEARA

 

Quase no mesmo patamar, mesmo que há 10 anos fora da TV, a atriz Ana Paula Arósio topou mostrar sua cara, conforme dizem, por um contrato de R$ 8 milhões para divulgar um novo produto do banco Santander.

As garotas-propaganda do mundo moderno aparecem também na internet, principalmente nas redes sociais, onde suas contas atingem milhões de seguidores. São, além de tudo, influenciadoras. Experimentam e divulgam lançamentos, recomendam produtos de beleza ou simplesmente usam roupas, sapatos e acessórios, e trocam alguns milhares de reais pela menção das marcas.

A cantora Anitta é exemplo dessa prática, inserindo marcas em seus clipes e, desde o início da pandemia, em suas lives. A lista é grande e inclui a cantora Ivete Sangalo e as atrizes Paolla Oliveira e Taís Araújo, sem contar, claro, a campeã Giselle Bundchen.

Exclusividade, porém, custa caro. Mas também funciona de modo contrário. Primeiro uma marca escolhe uma garota-propaganda pouco conhecida do público, e depois usufrui do sucesso que ela mesmo proporciona.

Foi assim com a bailarina Aline Riscado, do time de balé do Domingão do Faustão entre 2011 e 2014, que graças às campanhas da cerveja Itaipava se tornou conhecida em todo o país. Como embaixadora da marca e rosto conhecido pelo público, até quando desfila como rainha de bateria as pessoas se lembram da cerveja.

Embora uma prática antiga do marketing, as garotas-propaganda estão mais do que nunca na moda.

As redes sociais nunca foram tão estratégias para as marcas

As redes sociais nunca foram tão estratégias para as marcas

Larissa Manoela em campanha no Instagram da Maybelline

Com uma média de 3 horas e meia por dia em redes sociais, o Brasil está entre os cinco países do mundo que mais tempo gasta nesse tipo de plataforma. E se rede social é uma estrutura de pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que compartilham valores e objetivos comuns, essa definição ficou muito mais clara durante a pandemia.

Nunca marcas e consumidores falaram entre si, olho no olho, ou na tela, como nesses seis meses de isolamento e distanciamento social. Da parte das empresas, a comunicação antes voltada à mídia de massa, especialmente a TV, migrou em grande parte para a internet e especialmente para os aplicativos de contato direto com seu público.

É fácil de compreender que as pessoas, em quarentena, fizeram de seu telefone celular o maior companheiro. Grandes campanhas de propaganda igualmente foram para as redes sociais.

Marca número 1 do mundo em cosméticos, a norte-americana Maybelline, que desde 1996 pertence à multinacional francesa L’Oreal, promoveu pela primeira vez no Brasil uma grande estratégia com as principais influenciadoras de make up do país. Em vez de uma agência de publicidade, o trabalho foi realizado por uma empresa de influencer marketing e social media, a SamyRoad.

Impactando mais de 15 milhões de seguidoras, a campanha no Instagram e outras plataformas da Internet, contou com a participação de 13 influenciadoras, inclusive a atriz Larissa Manoela, ícone de uma geração de jovens atraídas por maquiagem.

De carona no comportamento social imposto pela pandemia, a rede de lojas de bricolagem Leroy Merlin também usou o Instagram para lançar uma ação divertida. Por meio de um filtro de reconhecimento facial, em uma espécie de jogo para casais, um sorteio definia de quem era a vez de lavar a louça, varrer a casa ou cozinhar, entre outras tarefas domésticas.

Outra conseqüência da quarentena foi o aumento considerável de pessoas que passaram a cozinhar em casa, índice que chegou a atingir 93% dos brasileiros. E, se comida caseira remete ao tradicional arroz com feijão, a maior fabricante nacional desses alimentos, Camil, não perdeu a oportunidade.

Em parceria com a chef Rita Lobo (capa São Paulo desta edição da 29HORAS), sucesso no canal GNT com seu “Cozinha Prática”, lançou uma série especial de receitas com os famosos grãos, diariamente, num hub próprio de conteúdo e no site “Panelinha” da apresentadora.

A quarentena também proporcionou um novo caminho para os pequenos e médios comércios de bairro, os mesmos que no início da pandemia sofreram perdas de receitas irreparáveis. Além da ajuda de grandes e-commerces, que lhes prestaram assessoria e estrutura para que continuassem vendendo, esses comércios também contaram com ajuda oficial.

Por iniciativa da Associação Comercial de São Paulo, a campanha “TamuJunto” incentivou a população a prestigiar seus vizinhos comerciantes, em uma parceria importantíssima para a retomada dos negócios e o futuro da economia na pós-pandemia.

Setor de e-commerce cresce pelo menos 40% em média no país durante a pandemia

Setor de e-commerce cresce pelo menos 40% em média no país durante a pandemia

Na contramão da crise do varejo físico, o setor de e-commerce cresceu pelo menos 40% no país durante a pandemia do coronavírus

Como alternativa ao isolamento social, o comércio eletrônico ganhou cerca de 5 milhões de novos clientes desde o início da quarentena. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) registrou o lançamento de quase 90 mil novas lojas online a partir de março.

Somente no primeiro mês da crise, o número de consumidores com pelo menos uma compra virtual foi de um milhão. A tendência que fortaleceu as grandes plataformas de comércio online, por outro lado abriu também novos caminhos para o setor varejista e, mais do que isso, criou uma alternativa para pequenos empreendedores.

Lu, a assistente virtual do marketplace Magalu

Lu, a assistente virtual do marketplace Magalu

O grande varejo especializado em e-commerce abriu os braços para lojistas sem infraestrutura e capital para frete. Com suas lojas fechadas, o Magazine Luiza acelerou o projeto Parceiro Magalu, agregando em sua plataforma pequenos negócios em troca de uma comissão por venda.

O programa superou as expectativas do grupo de Maria Luiza Trajano. Lançado em 31 de março, em três meses ultrapassou 40 mil cadastros.

Comércio regional e pequenas lojas de bairro romperam fronteiras e por meio dessa parceria expandiram sua área de atuação para todo o território nacional utilizando o serviço de frete do Magalu.De São Paulo, maior mercado consumidor do Brasil, até Epitaciolândia, no Acre, pequenos comércios ganharam um vendedor poderoso, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Já o Mercado Livre, maior empresa de e-commerce do país, vem nadando de braçadas desde o início da pandemia. Seu balanço do primeiro trimestre do ano é recheado de boas notícias. Cresceu 70,5% em faturamento, atingindo um valor líquido de US$ 652 milhões. No total, o volume de vendas foi de US$3,4 bilhões, o que representou um crescimento de 34,2%.

Na avaliação da empresa, atuando em uma das áreas menos afetadas pela pandemia da Covid-19, apesar do impacto inicial e da incerteza financeira de seus clientes, a recuperação começou já em abril.

O levantamento do Mercado Livre na América Latina revela que o marketplace sofreu baixa significativa durante a semana de 18 a 24 de março. No mês seguinte, porém, houve uma forte recuperação, com taxas de crescimento aceleradas em itens vendidos em volume transacionado, da ordem de quase 75%.

E embora o comportamento do comprador tenha se modificado, com redução de compra de itens não essenciais, cresceram as categorias de saúde, produtos cotidianos e brinquedos.

Outras grandes marcas também se movimentaram pelo mundo digital, como a Samsung, que criou a página “Conecte-se à sua casa”, com uma série de ações promocionais direcionadas ao e-commerce de redes varejistas parceiras.

A ViaVarejo, dona das Casas Bahia, Extra.com e Ponto Frio, colocou cerca de 20 mil vendedores, impedidos de ir às lojas, para vender via WhatsApp.

A situação atípica mudou completamente qualquer previsão que se fazia para o comércio eletrônico brasileiro e a primeira experiência de compra online deve fazer com que isso se torne um hábito para as pessoas.