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Marketing e marcas: atrizes, apresentadoras e cantoras são os rostos de marcas

Marketing e marcas: atrizes, apresentadoras e cantoras são os rostos de marcas

Elas só tinham uma chance. Não podiam errar. Não havia teleprompter. O texto era decorado minutos antes. Às vezes, humanamente erravam, ou esqueciam o roteiro. Mas tiravam de letra. O improviso reinava. Elas eram adoradas pelo público. Sua credibilidade garantia o sucesso de marcas anunciadas.

A história da propaganda dos anos 1970 na televisão brasileira começou a ser contada ainda no final dos anos 1950 e início da década de 1960 por comerciais feitos ao vivo pelas primeiras garotas-propaganda do país.

Idalina de Oliveira, Meire Nogueira e Neide Alexandre, hoje senhoras na faixa dos 80 anos, foram as primeiras anunciantes de produtos na telinha. Tornaram-se verdadeiras celebridades do marketing.

Na metade dos anos 1960, uma garota-propaganda em especial pulou dessa categoria para as telenovelas e virou a “Namoradinha do Brasil”. Sim, em 1964, Regina Duarte estreou na TV fazendo publicidade para a geladeira Frigidaire. Depois vieram as top models, como Luiza Brunet, que aos 18 anos era a estrela de todas as campanhas do jeans Dijon.

Sete décadas depois, essas garotas-propaganda agora são apresentadoras, atrizes, cantoras e modelos. Se antes as pioneiras trabalhavam pelo salário que ganhavam das emissoras, hoje negociam altos cachês, que variam exatamente pelo seu grau de credibilidade.

Entre 2014 e 2017, Fátima Bernardes estrelou comerciais da Seara. Parou quando a Lava Jato chegou à JBS, preocupada com sua imagem. Três anos depois, já em 2020, concordou em voltar a anunciar os produtos da marca, segundo informações, por um cachê anual de R$ 10 milhões.

APRESENTADORA FÁTIMA BERNARDES NA CAMPANHA DA SEARA

 

Quase no mesmo patamar, mesmo que há 10 anos fora da TV, a atriz Ana Paula Arósio topou mostrar sua cara, conforme dizem, por um contrato de R$ 8 milhões para divulgar um novo produto do banco Santander.

As garotas-propaganda do mundo moderno aparecem também na internet, principalmente nas redes sociais, onde suas contas atingem milhões de seguidores. São, além de tudo, influenciadoras. Experimentam e divulgam lançamentos, recomendam produtos de beleza ou simplesmente usam roupas, sapatos e acessórios, e trocam alguns milhares de reais pela menção das marcas.

A cantora Anitta é exemplo dessa prática, inserindo marcas em seus clipes e, desde o início da pandemia, em suas lives. A lista é grande e inclui a cantora Ivete Sangalo e as atrizes Paolla Oliveira e Taís Araújo, sem contar, claro, a campeã Giselle Bundchen.

Exclusividade, porém, custa caro. Mas também funciona de modo contrário. Primeiro uma marca escolhe uma garota-propaganda pouco conhecida do público, e depois usufrui do sucesso que ela mesmo proporciona.

Foi assim com a bailarina Aline Riscado, do time de balé do Domingão do Faustão entre 2011 e 2014, que graças às campanhas da cerveja Itaipava se tornou conhecida em todo o país. Como embaixadora da marca e rosto conhecido pelo público, até quando desfila como rainha de bateria as pessoas se lembram da cerveja.

Embora uma prática antiga do marketing, as garotas-propaganda estão mais do que nunca na moda.

As redes sociais nunca foram tão estratégias para as marcas

As redes sociais nunca foram tão estratégias para as marcas

Larissa Manoela em campanha no Instagram da Maybelline

Com uma média de 3 horas e meia por dia em redes sociais, o Brasil está entre os cinco países do mundo que mais tempo gasta nesse tipo de plataforma. E se rede social é uma estrutura de pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que compartilham valores e objetivos comuns, essa definição ficou muito mais clara durante a pandemia.

Nunca marcas e consumidores falaram entre si, olho no olho, ou na tela, como nesses seis meses de isolamento e distanciamento social. Da parte das empresas, a comunicação antes voltada à mídia de massa, especialmente a TV, migrou em grande parte para a internet e especialmente para os aplicativos de contato direto com seu público.

É fácil de compreender que as pessoas, em quarentena, fizeram de seu telefone celular o maior companheiro. Grandes campanhas de propaganda igualmente foram para as redes sociais.

Marca número 1 do mundo em cosméticos, a norte-americana Maybelline, que desde 1996 pertence à multinacional francesa L’Oreal, promoveu pela primeira vez no Brasil uma grande estratégia com as principais influenciadoras de make up do país. Em vez de uma agência de publicidade, o trabalho foi realizado por uma empresa de influencer marketing e social media, a SamyRoad.

Impactando mais de 15 milhões de seguidoras, a campanha no Instagram e outras plataformas da Internet, contou com a participação de 13 influenciadoras, inclusive a atriz Larissa Manoela, ícone de uma geração de jovens atraídas por maquiagem.

De carona no comportamento social imposto pela pandemia, a rede de lojas de bricolagem Leroy Merlin também usou o Instagram para lançar uma ação divertida. Por meio de um filtro de reconhecimento facial, em uma espécie de jogo para casais, um sorteio definia de quem era a vez de lavar a louça, varrer a casa ou cozinhar, entre outras tarefas domésticas.

Outra conseqüência da quarentena foi o aumento considerável de pessoas que passaram a cozinhar em casa, índice que chegou a atingir 93% dos brasileiros. E, se comida caseira remete ao tradicional arroz com feijão, a maior fabricante nacional desses alimentos, Camil, não perdeu a oportunidade.

Em parceria com a chef Rita Lobo (capa São Paulo desta edição da 29HORAS), sucesso no canal GNT com seu “Cozinha Prática”, lançou uma série especial de receitas com os famosos grãos, diariamente, num hub próprio de conteúdo e no site “Panelinha” da apresentadora.

A quarentena também proporcionou um novo caminho para os pequenos e médios comércios de bairro, os mesmos que no início da pandemia sofreram perdas de receitas irreparáveis. Além da ajuda de grandes e-commerces, que lhes prestaram assessoria e estrutura para que continuassem vendendo, esses comércios também contaram com ajuda oficial.

Por iniciativa da Associação Comercial de São Paulo, a campanha “TamuJunto” incentivou a população a prestigiar seus vizinhos comerciantes, em uma parceria importantíssima para a retomada dos negócios e o futuro da economia na pós-pandemia.

Setor de e-commerce cresce pelo menos 40% em média no país durante a pandemia

Setor de e-commerce cresce pelo menos 40% em média no país durante a pandemia

Na contramão da crise do varejo físico, o setor de e-commerce cresceu pelo menos 40% no país durante a pandemia do coronavírus

Como alternativa ao isolamento social, o comércio eletrônico ganhou cerca de 5 milhões de novos clientes desde o início da quarentena. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) registrou o lançamento de quase 90 mil novas lojas online a partir de março.

Somente no primeiro mês da crise, o número de consumidores com pelo menos uma compra virtual foi de um milhão. A tendência que fortaleceu as grandes plataformas de comércio online, por outro lado abriu também novos caminhos para o setor varejista e, mais do que isso, criou uma alternativa para pequenos empreendedores.

Lu, a assistente virtual do marketplace Magalu

Lu, a assistente virtual do marketplace Magalu

O grande varejo especializado em e-commerce abriu os braços para lojistas sem infraestrutura e capital para frete. Com suas lojas fechadas, o Magazine Luiza acelerou o projeto Parceiro Magalu, agregando em sua plataforma pequenos negócios em troca de uma comissão por venda.

O programa superou as expectativas do grupo de Maria Luiza Trajano. Lançado em 31 de março, em três meses ultrapassou 40 mil cadastros.

Comércio regional e pequenas lojas de bairro romperam fronteiras e por meio dessa parceria expandiram sua área de atuação para todo o território nacional utilizando o serviço de frete do Magalu.De São Paulo, maior mercado consumidor do Brasil, até Epitaciolândia, no Acre, pequenos comércios ganharam um vendedor poderoso, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Já o Mercado Livre, maior empresa de e-commerce do país, vem nadando de braçadas desde o início da pandemia. Seu balanço do primeiro trimestre do ano é recheado de boas notícias. Cresceu 70,5% em faturamento, atingindo um valor líquido de US$ 652 milhões. No total, o volume de vendas foi de US$3,4 bilhões, o que representou um crescimento de 34,2%.

Na avaliação da empresa, atuando em uma das áreas menos afetadas pela pandemia da Covid-19, apesar do impacto inicial e da incerteza financeira de seus clientes, a recuperação começou já em abril.

O levantamento do Mercado Livre na América Latina revela que o marketplace sofreu baixa significativa durante a semana de 18 a 24 de março. No mês seguinte, porém, houve uma forte recuperação, com taxas de crescimento aceleradas em itens vendidos em volume transacionado, da ordem de quase 75%.

E embora o comportamento do comprador tenha se modificado, com redução de compra de itens não essenciais, cresceram as categorias de saúde, produtos cotidianos e brinquedos.

Outras grandes marcas também se movimentaram pelo mundo digital, como a Samsung, que criou a página “Conecte-se à sua casa”, com uma série de ações promocionais direcionadas ao e-commerce de redes varejistas parceiras.

A ViaVarejo, dona das Casas Bahia, Extra.com e Ponto Frio, colocou cerca de 20 mil vendedores, impedidos de ir às lojas, para vender via WhatsApp.

A situação atípica mudou completamente qualquer previsão que se fazia para o comércio eletrônico brasileiro e a primeira experiência de compra online deve fazer com que isso se torne um hábito para as pessoas.

Marcas se posicionam na pandemia e agradam público

Marcas se posicionam na pandemia e agradam público

Nunca foi tão simples acertar o alvo. Horário definido, público-alvo, exposição de marca, mensagens diretas, veiculação multiplataforma, na TV aberta, por assinatura, Youtube, Facebook e Instagram. Durante a quarentena, as marcas chegam diretamente ao target, principalmente por meio das dezenas de lives musicais.

De carona no carisma de cantores e cantoras, alguns entre os mais famosos do país, várias empresas se apressaram em patrocinar esses eventos remotos, anunciar doações, transmitir mensagens de otimismo e conscientização diante da pandemia.

Era isso exatamente o que as pessoas esperavam delas, conforme apontaram inúmeras consultas populares realizadas desde o início da expansão do novo coronavírus (Covid-19). Uma das primeiras empresas a modificar seu logotipo aplicando uma máscara de proteção, o banco Itaú também liderou pesquisa realizada em maio sobre quais marcas se posicionaram positivamente em relação à pandemia.

 

Itaú inclui máscara em seu logotipo durante a pandemia

 

O estudo realizado pela Toluna Influencers e Croma Group apontou, na sequência, Ambev, Magalu, Santander e Natura no Top Five. Boticário, Bradesco, Nestlé, Americanas e Casas Bahia completaram a relação das dez mais.

Chama a atenção na lista de 50 marcas citadas pelo público, fintechs como AME Digital e Pic Pay, serviços de pagamento utilizados para doações durante as lives.

As marcas mais agressivas em Marketing, porém, não se limitaram a esse tipo de ação. Promoções referentes ao tema foram anunciadas aos quatro cantos garantindo apoio especialmente aos microempreendedores, camada mais afetada no mundo dos negócios.

Os grandes bancos foram os primeiros a ampliar prazos e datas de pagamento de empréstimos. Pic Pay, sistema de pagamento eletrônico, se mostrou ainda mais criativo ao celebrar parceria com a imobiliária Lello para parcelar valor do aluguel de maio e junho em até 12 vezes.

O Itaú, de novo ele, líder de imagem de marca, além de tudo, e da doação de R$ 1 bilhão ao projeto “Todos pela Saúde” de combate ao novo vírus, ainda firmou parceria com a Uber para oferecer 200 mil viagens aos profissionais de saúde da prefeitura de São Paulo.

Integrante de outro setor dos mais atingidos desde o início da pandemia, a Azul lançou promoção para venda de viagens em 12 parcelas a serem usufruídas entre julho deste ano e abril de 2021.

A importância do marketing e da publicidade durante a crise também pode ser medida por meio de estudo realizado pela agência Propeg, que revelou que apenas 1% da população entendia que as marcas não deveriam fazer publicidade neste período.

 

O que pensa a agência?

Mário D’Andrea, presidente da Associação Brasileira das Agências de Propaganda, comenta como a pandemia afetou a criação das propagandas. “As pessoas estão assustadas e agoniadas e, por isso, esperam conforto vindo das marcas, algo que não encontram nas notícias ou nas erráticas declarações de governos. Por isso, acredito que as marcas que estão conseguindo se conectar emocionalmente com as pessoas neste momento não serão esquecidas pelas pessoas lá na frente, quando as coisas voltarem ao normal”.

 

Empresas responsáveis em meio à pandemia de coronavírus

Empresas responsáveis em meio à pandemia de coronavírus

Novo logo do “Mercado Livre” com a pandemia de coronavírus

O mais importante festival mundial de publicidade, criado em 1953, o Cannes Lions deste ano não será realizado em sua data tradicional, meados de junho, durante o Verão da Riviera Francesa. Por causa da pandemia do coronavírus  (Covid-19), a edição 2020 foi transferida para outubro.

Espera-se que até lá o novo coronavírus tenha sido contido e debelado nos países que mais mandam representantes para o evento, especialmente o Brasil.

Desde o ano 2000, delegações gigantescas de chineses desembarcam no balneário francês para participar da mais moderna e atual programação de palestras e workshops sobre comunicação e marketing. Além deles, entre os mais de 14 mil delegados marcam presença italianos e espanhóis, povos das nações européias mais atingidas pela epidemia.

Solidárias

No Brasil, o mês de março foi marcado por uma série de iniciativas das empresas no desempenho de seu papel social de conscientização da população sobre os perigos do vírus.

Mais do que isso, de ações efetivas, como fez a Ambev, maior fabricante de cervejas do globo, anunciando que passou a produzir 500 mil unidades de garrafas PET com álcool gel, doadas a todos os hospitais públicos nos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde se concentram a maioria dos casos da doença.

Um grupo de publicitários criou a conta @distanciasalva no Instagram, convidando as pessoas a compartilharem depoimentos em vídeo, com a hashtag #DistânciaSalva, contando suas experiências para combater o coronavírus, mostrando que é possível manter a união mesmo à distância.Vários anunciantes e agências aderiram imediatamente à ação por meio da thread no Twitter, como a 99, Hershey, Itaú Cultural, Rappi, Havaianas e OLX.

Empresas e agências de publicidade adotaram o home office, algumas em 100%, conscientes da grave situação. Uma das ações juntou necessidade e criatividade. O Mercado Livre, em parceria com sua agência de propaganda GUT, mudou temporariamente a logomarca da empresa, substituindo o tradicional aperto de mãos por um toque de cotovelos.

Comunicado conjunto assinado pela ABAP, APRO e sindicatos da indústria e de profissionais do setor audiovisual, recomenda utilizar recursos alternativos em roteiros de filmagens. Entidades que representam agências e produtoras de comerciais enviaram comunicado a seus associados logo após a prefeitura de São Paulo determinar a não concessão de autorização para filmagens na cidade. Além de sugerir suspensão ou adiamento, o documento também orienta a utilização de outros tipos de execuções, como imagens de stock shot, animação e pós-produção.

Até o time de futebol do Corinthians aproveitou sua interação com um contingente mais de 30 milhões de torcedores para mandar seu recado quanto ao Covid-19. O clube resgatou uma ação de oito anos, a “Epidemia Corinthiana”, campanha criada pela F/Nazca para incentivar os fãs a interagirem com a marca durante a disputa do Mundial da FIFA 2012. Com isso, a “Locospirose”, que remetia a um vírus do bem que contagiava corintianos, virou uma cartilha de prevenção e combate ao novo coronavírus.